Quando

TD - Quando
Foto: Petterson Farias

Sabe quando você, no trânsito, rouba a minha mão e pousa de leve na sua perna, e eu te olho sorrindo em silêncio? Ou mesmo quando você repete suas velhas histórias, do mesmo jeitinho, sem tirar nem pôr uma vírgula, e eu manifesto surpresa pra não te desapontar? E quando você me liga de madrugada morrendo de saudade, mesmo eu sabendo que você queria estar dormindo desde às dez? Em todas essas vezes, eu te vejo dizer sem palavras do amor que atravessa teu peito aí e que, não coincidentemente, marca o meu aqui também.

Quando as suas frases de efeito saem em inglês e eu morro de rir; quando você briga com alguém e é pra mim que liga chorando arrependido e eu não sossego até te fazer melhor; quando você desce a ladeira e me manda vídeo do mar com a nossa música ao fundo e eu me sinto como se estivesse do seu lado, sabe? Quando estamos juntos e acordamos na mesma hora sem combinar, antes do despertador tocar, só pra namorar um pouquinho mais. Em todas essas situações, eu me surpreendo sussurrando baixinho gratidão pelas coisas que eu só experimentei com você.

Quando seus olhos me comem despretensiosamente e eu finjo não vê-los. Quando você me enumera todas as suas incertezas e eu destruo uma a uma, mas sobretudo, quando é você que me faz acreditar. Quando você me liga com a voz rouca de sono só pra dizer que me ama e eu te respondo ainda com os olhos fechados que te amo mais. Quando você declara seu ciúme com jeitinho e eu, ao invés de ficar com raiva, tenho vontade de te esmagar com tanto afeto. Nesses instantes, eu te abraço com todas as forças que um sentimento bom pode ter.

Quando você dá aquela risada engraçada e demorada por causa de algo que eu falei ou quando você me pede desculpas, eu me encho de orgulho pelo homem que você é. Quando você me manda um beijo escondido, achando que ninguém vai notar e a gente cai na gargalhada, morrendo de vergonha, porque, sim, alguém notou, tudo em mim sorri. Quando eu chamo você de amor na frente de estranhos e você se apavora, fazendo aquela cara de horror, eu até me esqueço do quão difícil é amar como a gente ama, porque com você tudo parece mais fácil.

Quando eu estou longe e você dorme com a minha camisa sem eu saber e eu acordo querendo ainda mais o seu abraço. Quando você, sem pudor, deixa seu cheiro em mim. Quando, involuntariamente, seus olhos fecham e o seu sorriso fica maior que o mundo. Quando você me sugere todos os sonhos e num abraço, me lembra de que eu não poderia ter alguém melhor do meu lado. Ou mesmo quando você me troca pela televisão e eu ronco deitado no seu peito. Em todos esses momentos, eu me sinto na obrigação de te devolver as coisas boas que espalhas sem dó nem piedade pela minha vida.

Quando você me leva pra ver o mar e, mesmo com frio, mergulha comigo; quando eu saio do quarto, desço as escadas, seguindo o rastro do seu assobio que ocupa a casa inteira, e uma alegria sem fim me invade; quando eu te escrevo num dia qualquer e você diz que ama as minhas palavras; ou quando você faz questão de fazer o nosso café da manhã e eu te assisto cozinhar; quando a gente se encontra no aeroporto e dá aquele abraço demorado, provando ao mundo, do nosso jeito, que todo amor é bom, sim, não importa o gênero; e até quando a gente ri lembrando que um dos nossos temas de namoro é um sertanejo; tudo em mim inspira leveza, paixão e certeza.

Quando você me agradece baixinho no ouvido por coisas que eu faria de novo com o maior prazer. Quando seus amigos me reiteram em segredo o amor que você me declara. Quando você pressiona a língua contra o céu da boca, como deve estar fazendo agora pra não chorar, e chora mesmo assim. Quando eu me dou conta de que tudo isso está só no começo, parece que meu coração, depois de tanto agonizar, por sua causa sorri sem freio e volta a viver sem medo. Quando você, diariamente, teima em estar na minha vida, mesmo a quilômetros de distância, eu te juro que eu me sinto o cara mais feliz do mundo.

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Aquela velha fobia

 

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‘Eu sei que o amor é uma coisa boa,
mas também sei que qualquer canto é
menor do que a vida de qualquer pessoa’.

Belchior

 

Desse meu medo bobo de interferir nas preferências
e relações que nunca dependeram de mim;
de censurar as escolhas alheias e chegar a supor que
um mundo inteiro deve sentir, pensar e agir conforme aqui.

Desse receio que tenho de rasurar sentimentos inteiros
com as minhas letras, manchando canto por canto,
rachando ao meio quantas vidas mesmo?
De impor meus limites e traumas, transformando essas relações
em reverberações do que carrego de pior.

Desse meu pavor de ser um desses egoístas que
vagam por aí escondendo as opções e roubando
todas as outras possibilidades.

De me tornar alguém que vive de anular, assim,
sem remorso, esse bando de perspectivas
e diferenças que há no outro.

 

esse papo de amizade

 

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‘Há os que amaram uma vez em silêncio,
sem se declarar, e trazem dentro do peito
essa granada que não foi detonada.
Há os que se declararam e foram rejeitados,
e a granada estraçalhou tudo por dentro,
mesmo que ninguém tenha notado’.

Martha Medeiros

 

um ítalo pro riso ser bem maior
e uma suzi pra eu ser total admiração

uma hérica pra entender tudo que sinto
e uma marina porque a inocência nunca foi meu forte

uma géssyca pra eu ignorar as distâncias
e uma gabriela pra provar que elas nunca existiram

uma carol pro abraço mais encaixado
um vinny porque bom humor é fundamental
e uma luiza pra gente se gostar em silêncio

uma fabíola pra falar de amor
uma anna karla pra entender o amor
uma bruna pra praguejar comigo esse mesmo amor
e uma vida inteira pra bendizer essas histórias que a gente
vai, assim, meio sem querer, escrevendo no deslizar dos dias

esses sujeitos que vamos encontrando pelo caminho
e os enxergamos diferentes, chamando-os de amigos
tudo seria tão mais chato sem eles
absurdamente monótono e repetitivo

nada seria tão bom quanto esses dias
em que optamos por não estar só
e sentimos um orgulho danado de quem
caminha ao nosso lado

 

~pelo dia do amigo e por todos os outros~