Esconda seu preconceito no armário

Arte: Herbert Loureiro

‘Fulano tá demorando sair do armário’
Quem decide a hora certa de se assumir é o próprio fulano, não você. Se é na adolescência ou na velhice, isso não é um problema seu. Só respeite o tempo dele!

‘Não tenho nada contra os gays, tenho até amigos que são, mas…’
Se você não tem nada contra algo, esse “mas” na sua frase nem deveria existir.

‘Eu aceito meu filho como ele é, só tenho medo do preconceito que ele pode sofrer lá fora’
Reflita se nesse seu discurso não há um preconceito velado, que você só não quer admitir e, por isso, fala do mundo “lá fora”. Sofrendo preconceito ou não, o apoio e o respeito da família são fundamentais, não negue isso a ele!

‘A opção sexual dela é o homossexualismo…’
Na verdade, ORIENTAÇÃO sexual, porque não optamos. Não há um momento na vida em que a gente escolhe direita ou esquerda, marca um X na opção ‘GAY’ como numa questão do ENEM. E HOMOSSEXUALIDADE, por gentileza. O sufixo ‘ismo’ denota doença, patologia. E nós não somos doentes!

‘Eu até aceito os gays, mas não precisa ser afetado, né?!’
O que você chama de afetação pode ser a essência da pessoa, o modo dela de estar no mundo. Sendo afeminado, tímido, séria, engraçado, envergonhada ou “caminhoneira”, cada um tem um jeito único de ser e ninguém precisa se encaixar em comportamentos pré-definidos. Pratiquemos a diversidade e a tolerância que a gente tanto prega.

‘Quer ser gay, que seja dentro de casa, não em público. Ainda mais perto de crianças’
Homossexualidade não se passa, não é doença contagiosa, que uma criança só de olhar vai “pegar”. Se fosse assim, eu teria crescido hétero, porque vivi toda minha infância e adolescência convivendo apenas com casais héteros. Me parece um pouco óbvio isso, não?

‘Agora em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, eu sou contra’
Então se case com uma pessoa do sexo oposto e siga sua vida.

‘Mas quem é o homem e quem é a mulher na relação de vocês?’
Espera! Deixa eu explicar mais uma vez: a relação é homossexual JUSTAMENTE porque é entre pessoas do MESMO sexo, logo, ou são dois homens ou são duas mulheres. Se houver um homem e uma mulher, a relação é heterossexual!

‘Nossa, pros gays agora tudo é ofensa!’
Pare de dizer pelo outro o que ele deve encarar como ofensa ou não. Só ele sabe o que sente; só ele sabe como é carregar nas costas o resultado de todas suas vivências, experiências e memórias. Se a pessoa te diz que teu comportamento em relação a ela não é legal, porque a constrange, ofende ou machuca, ouça, reveja, reflita, procure o diálogo, mude de comportamento ou se afaste. E isso vale pra tudo, hein?!

‘Não curto afeminados’
Frases como essa lidas aos montes em aplicativos gays não contribuem em nada pra nossa luta. Reduzir uma pessoa ao seu comportamento ‘afeminado’, além de te fechar pra trocas incríveis com alguém que é muito mais que isso, vai contra toda a tolerância que você mesmo pede. Suas preferências, direito seu. Mas que tal focar no que você gosta ao invés de focar no que não prefere? Mesmo entre os gays, há privilégios. Gay discreto, sem dúvida, sofre menos preconceitos que uma bicha espalhafatosa, mas ambos são dignos de respeito, portanto, não prive o veado afeminado desse direito. 

‘Ainda me acho preconceituoso, mas quero mudar’
Eu também, bora conversar?

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Age!

Foto: Fabíola Lourenço
Foto: Fabíola Lourenço

Faz assim, aciona teus instintos, agride teus pavores, pega o telefone e disca o número que sempre soubeste de cor, diz que foi engano, não a ligação, mas todo esse tempo que vocês perderam, sofrendo calados e amando tão separados. Distorce a realidade, torce o braço, diz à distância que ela é menor do que imagina e quando a música te fizer lembrar, declara isso. Entorpece teus sonhos com as atitudes que no fundo tu sempre quiseste tomar. Proíbe o comodismo de entrar e fala, meu querido, porque sentir em silêncio é letal.

Compra as passagens, reserva o hotel, foge pra bem longe, entra sem bater e só sai de lá quando não mais quiser, mesmo que todo mundo esteja olhando. Dedica o verso, escreve o rosto dele num pedaço de papel, mas apaga os defeitos, colore, pelo menos uma vez, somente o que ele tem de bom. Vai na casa, escancara a porta, pula a janela e culpa a saudade, quando te flagrarem numa dessas situações constrangedoras. Planeja um passeio pro sábado, convida pro cinema no domingo e na quarta-feira surpreende a rotina massacrante com as palavras que só tu, na hora, vais saber escolher.

Desembrulha os sentimentos, tira o amor de trás das cortinas e faz pulsar todos esses instintos tortos que cada um de nós carregamos dentro de si, sobretudo quando amamos. Faz tudo isso e um pouco mais. Mas faz mesmo, que, uma hora, o teu orgulho desiste!