Casa Aberta

Foto: Petterson Farias

As pessoas demoram a acreditar nas rupturas. Já vi muitos amigos padecendo, por tentar levar às últimas consequências relações que poderiam acabar de forma amigável, só por achar que, por algum poder superespecial, conseguiriam reverter desgastes irremediáveis.

Não há nenhum mal em se afastar, em ser franco consigo mesmo e com o outro ao admitir que as coisas não se encaixam mais como antes. E outra: afastamentos e rupturas não precisam ter prazo de validade, pelo contrário. Algumas vezes, quando rompi com alguém, tempos depois, a conexão perdida foi retomada e de maneira ainda mais incrível. Isso porque o tempo que perderíamos somando ainda mais desgastes, aproveitamos para amadurecer; para dialogar com gente diferente; para oxigenar a alma com estímulos novos; e se dar conta, por fim, de que aquele relacionamento era sensacional, a gente é que não tava num bom momento para insistir.

“Ah, mas numa dessas, a pessoa pode ir e nunca mais voltar”. E quem tem o controle disso? Prendendo ou não, todo mundo tem o direito de ir e nunca mais voltar. Isso independe de mim. Entender isso é tirar uma tonelada de peso das costas e, mais leve, a gente consegue seguir. Algumas vezes, seguir junto por muito mais tempo, outras, até pra sempre, mas sem receio, sem neura, sem medo. Amigo, colega, namorado, esposa não são propriedades. Tem hora que sintoniza, pluga, casa, e é massa! Mas tem hora que não, paciência! E a nossa vida, não canso de repetir, é casa de portas abertas: as pessoas têm mais é que entrar e sair quando bem entender.

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O amor é um ciclo

O Amor é Um Ciclo
Foto: Fabíola Lourenço

Troquei as toalhas, os lençóis manchados, até roupa nova, veja bem, eu botei. Os velhos móveis de outros impregnados, absolutamente, todos espanei. Nas cortinas, novos ventos batem. E nas paredes, envelhecidos segredos dormem.

Alma despreocupada. Janelas arejadas. Portas escancaradas. Algumas cicatrizes reboquei, outras, pintei. E aquelas que em mim os amores carentes causaram, ai, já nem sei… vai que elas ainda estejam por aí, vagando pelos cantos da casa e só a mobília escondeu. Mas isso não te cabe! Aliás, nem a mim nem a ti. Dizem que aos dias, que aos anos, que ao tempo. Sendo assim, esperarei!

Tu, por enquanto, deves te importar só com o que visível eu deixo. Que notes minha sede, acaricies meus sorrisos, que cantes comigo novos versos e abraces meus desejos. Porque meu coração levemente já respira, acredite, à espera de tuas notícias que em breve chegarão, eu sei.