Seres Livres

As pessoas demoram a acreditar nas rupturas. Já vi muitos amigos próximos padecendo por tentar levar às últimas consequências relações que poderiam acabar de forma amigável, só por achar que, por algum poder superespecial, conseguiriam reverter desgastes irremediáveis.

Não há nenhum mal em se afastar, em ser franco consigo mesmo e com o outro ao admitir que as coisas não se encaixam como antes. E outra: afastamentos e rupturas não precisam ter prazo de validade, pelo contrário. Algumas vezes, quando rompi com alguém, tempos depois, a conexão foi retomada e de maneira ainda mais incrível. Isso porque o tempo que perderíamos somando desgastes, aproveitamos para amadurecer; para dialogar com gente diferente; para oxigenar a alma com novos estímulos; para a poeira abaixar; e se dar conta, por fim, de que aquela pessoa era incrível, a gente é que não estava num bom momento para insistir.

“Ah, mas numa dessas, a pessoa pode ir e nunca mais voltar”. E quem tem o controle disso? Prendendo ou não, as pessoas têm o direito de ir e nunca mais voltar. Isso independe de mim. Entender essa dinâmica é tirar um enorme peso das costas e, mais leve, seguir. Algumas vezes, seguir junto por muito tempo, outras, até para sempre, mas sem receio, sem medo. 

Amigo, colega, namorado, esposa não são propriedades. Tem hora que sintoniza, pluga, casa e é bom. Mas tem hora que não. E a vida da gente, não canso de repetir, é casa de portas abertas: as pessoas têm mais é que entrar e sair quando bem entender. Seres livres acima de tudo!

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