Casa Aberta

Foto: Petterson Farias

As pessoas demoram a acreditar nas rupturas. Já vi muitos amigos padecendo, por tentar levar às últimas consequências relações que poderiam acabar de forma amigável, só por achar que, por algum poder superespecial, conseguiriam reverter desgastes irremediáveis.

Não há nenhum mal em se afastar, em ser franco consigo mesmo e com o outro ao admitir que as coisas não se encaixam mais como antes. E outra: afastamentos e rupturas não precisam ter prazo de validade, pelo contrário. Algumas vezes, quando rompi com alguém, tempos depois, a conexão perdida foi retomada e de maneira ainda mais incrível. Isso porque o tempo que perderíamos somando ainda mais desgastes, aproveitamos para amadurecer; para dialogar com gente diferente; para oxigenar a alma com estímulos novos; e se dar conta, por fim, de que aquele relacionamento era sensacional, a gente é que não tava num bom momento para insistir.

“Ah, mas numa dessas, a pessoa pode ir e nunca mais voltar”. E quem tem o controle disso? Prendendo ou não, todo mundo tem o direito de ir e nunca mais voltar. Isso independe de mim. Entender isso é tirar uma tonelada de peso das costas e, mais leve, a gente consegue seguir. Algumas vezes, seguir junto por muito mais tempo, outras, até pra sempre, mas sem receio, sem neura, sem medo. Amigo, colega, namorado, esposa não são propriedades. Tem hora que sintoniza, pluga, casa, e é massa! Mas tem hora que não, paciência! E a nossa vida, não canso de repetir, é casa de portas abertas: as pessoas têm mais é que entrar e sair quando bem entender.

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