Gay

gay
Foto: Petterson Farias

O gay não quer conhecer teu melhor amigo gay, só porque eles dois são gays. Ele não quer a tua gargalhada 24h por dia, se a relação de vocês se reduz a um palhaço e um espectador, muito menos ser o ‘baitola’ do time adversário, que tu gritas no momento de fúria ou encarnação. Nem sempre ele quer evidenciar a sua sexualidade, poxa, há outras tantas características e qualidades a serem notadas, é só se esforçar um pouquinho mais. O gay quer ser visto com seu(a) namorado(a) sem ser o centro das atenções, afinal, são só duas pessoas que se gostam, como tantas outras por aí, vai dizer que não?! O gay não quer ser a pouca vergonha da sua família, só porque beija meninos ou meninas, ele também quer, embora não pareça, ser orgulho de pai e mãe, mesmo quando ninguém reconhece seus esforços nos estudos, no trabalho e na tentativa de ser alguém na vida. Não quer ainda ser obrigado a responder sobre as namoradinhas, quer, sim, manter suas relações sexuais tão desimportantes para o curso natural de outras vidas quanto a fofoca sobre a atriz da novela das seis. O gay não quer ser o ‘nada contra, mas…’ da vida de ninguém! Ele quer distância das tuas convicções religiosas e das tuas opiniões emprestadas de discursos pela metade. O gay anda cansado do teu ‘humm, viadinho!’ depois que desliga o telefone ou bate a porta, e pra ele, pouco importa se tu és discreto ou não curtes afeminados. O gay não quer ser somente o gay da rodinha, não quer ter um relacionamento gay, ser apaixonado por música gay e ser um fissurado por cultura gay. Ele só quer ter o mesmo direito (pra quem vê de fora, parece besta) de ouvir o que quer, comer quem quiser, amar quem bem entender e ser chamado pelo nome, sim, sem rótulos e adjetivos forçados, sua bicha!

E talvez – era nesse ponto que eu queria chegar -, o teu silêncio possa ajudar bem mais do que o desconcerto disfarçado de comoção/euforia ao ver dois caras ou duas meninas se beijando. Tem apoio, vamos combinar, que não precisa ser dito, né?! As ações sempre acabam por justificar as intenções, vai por mim. Já parou pra pensar que não querer achar ou evidenciar o diferente é também uma forma de dizer que ali há igualdade? Que não se incomodar com o que difere de ti é reduzir o preconceito a nada? Que não manifestar solidariedade, às vezes, é tão bom quanto não manifestar repulsa? Já que não perceber é tornar natural e a naturalidade tende a engavetar as diferenças. Que passar por um casal na rua sem crescer o olho como se enxergasse uma aberração é também dizer ‘nós somos iguais!’? Pois é! E se somos iguais, não há canto de olho, desconfiança ou espanto! Há somente a incrível constatação de que tem espaço, dignidade, respeito e amor para todos, sem exceções.

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2 comentários sobre “Gay

  1. Receba meu abraço, minha admiração, se um dia você de mim precisar entre sem bater, a casa (meu coração) vai estar sempre aberta.

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