Conversa Franca

Conversa Franca
Foto: Victoria Sales

Passo a vida tentando convencer o mundo de que meu coração é livre e o choro não existe. Dou murro em ponta de faca e cutuco um bando de sentimentos baratos, encorajado pela sensação de ser feito de carne, osso e liberdade! Brigo com o espelho, repetindo desprendimentos, certo de que depois de um, sempre vem outro(s). Porque, óbvio, o coração sabe bem que também há amores feitos para não durar!

Transito com certa leveza e cinismo entre paixões amarradas ao pé da cama, dedos tesos, corpos unidos e outros desejos suados! Eu te amo pra cá! Agora passa a língua pra lá! Mete mais que tá gostoso! Ai! Ui, gozei! Foi bom pra mim! Te deixo em casa? Até mais, um beijo, tchau!

Entro de peito aberto em outras vidas, viro do avesso e remexo tudo que quero, ciente de que o outro leu o manual e aceitou os termos de uso. Claro, ninguém aqui é criança, somos maduros o suficiente pra gerir qualquer sentimento que atente contra a moral e os bons costumes (do desapego), não é mesmo? Como pensei!

Até que por um descuido e uma porta aberta, o amor me desconstrói! E da pior maneira, transforma em castigo o que sempre me libertou. Chega dando vida às amarras antigas e aos piores sintomas que um coração tresloucado pode ter! Aí me dou conta de que, durante todo o tempo em que fingi independência e sobriedade, o outro pulou a cerca, para escancarar minhas janelas e me partir ao meio. E eu não tenho mais para aonde correr! O que me resta é sangrar mais uma vez a dor de estar preso a quem nunca foi meu por completo!

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2 comentários sobre “Conversa Franca

  1. Sabe aquele dia que vc precisa ler algo que acalme sua alma? seu coração tão machucado pelas surpresas da vida? pelas feridas da alma? Foi ótimo ler e refletir no que escrito está. Parabéns.

  2. Uma vez ouvi uma história sobre terrenos baldios, terrenos que não tem portas e todos que por ele passam deixam seu lixo.
    Aprendi a evitar ser um terreno baldio, para aqueles que já vem com seu lixinho na mão, colocando cercas e um porteiro no meu terreno chamado razão.
    Mas depois de um tempo percebi que se eu deixar alguém entrar vou correr o risco de ter lixo no meu terreno que já não é mais baldio pois não conseguir habitar sozinha nele.

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