Travessias

Travessias
Foto: Petterson Farias

Nunca fui de prolongar namoros conturbados só pelo prazer de ver em que fim daria, nem tampouco de me prender em histórias monótonas só pra vê-las se transformarem, pouco a pouco, em filmes de terror. Nunca quis ficar mais do que o combinado e acho que algo aqui dentro, involuntariamente, sempre me avisou o momento exato de fechar a conta, passar a régua e dizer adeus.

Todas as vezes em que permaneci, foi pela nítida sensação de que ainda seria bom. E, pelo menos nisso, nunca falhei! Não passei da hora, mas também não abortei. Só continuei até onde soube ser suficiente e parei antes do sorriso se fechar, o coração se ferir, a amizade acabar. De forma assim delicada, foram sempre as ocasiões que me chamaram de cantinho pra me dizer quando partir.

E embora o outro quisesse, não ocupei mais dias seus do que deveria, como quem fica mais um bocadinho só à espera do tempo fechar e a casa cair. E eu que sempre condenei o autoelogio, achei importante te dizer tudo isso, pra que tu entendesses, de uma vez por todas, de onde vem toda essa minha certeza de não mais seguir.

É que eu sempre cuidei para não me demorar onde não preencho mais, por acreditar que é possível, sim, passar pelo outro sem fazer doer e, pelo menor tempo que seja, atravessar a vida alheia com um só intuito: ser e fazer feliz.

 

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2 comentários sobre “Travessias

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