Dias de Sol

Dias de Sol
Foto: @analidiav

 

Amor, esse grande parque de diversões,
que pra te fazer feliz, te tira o ar.
Topou brincar? Trava de segurança,
as mãos pra cima, não vai desistir.
Topou sentir? Entrega o coração,
a gravidade faz sua parte,
só não olhe pra baixo.

Amor, essa roda-gigante feita pra dois,
que quando não é montanha-russa com seus solavancos,
frio na barriga e histeria sem fim,
se faz de gangorra, porque quando dois se
equilibram é bem mais fácil amar.

Amor, esse carrossel de sensações,
onde solto os braços, perco o fôlego e me deixo levar.
E quando penso que a brincadeira chegou ao fim,
meus pés tocam o chão, eu abro meus olhos e te vejo voar.

 

(Textinho feito em parceria com a Amanda Pinho)

 

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Confissão

 

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‘Compreendeu então que as metáforas são perigosas.
Não se brinca com as metáforas.
O amor pode nascer de uma simples metáfora’.
A Insustentável Leveza do Ser

 

As minhas vírgulas, amigo leitor, sou eu dizendo
em que partes da poesia você deve respirar.

Meus pontos te indicam quando deve seguir sozinho
e minhas metáforas dão indícios da tua compreensão.

Os meus segredos encontram sinônimos na tua vida
e as rimas que enfeitam meus versos te fazem dançar.

Meus textos são para dizer que,
em todas as vezes que seu coração sentiu,
você nunca esteve sozinho.

 

Travessias

Travessias
Foto: Petterson Farias

Nunca fui de prolongar namoros conturbados só pelo prazer de ver em que fim daria, nem tampouco de me prender em histórias monótonas só pra vê-las se transformarem, pouco a pouco, em filmes de terror. Nunca quis ficar mais do que o combinado e acho que algo aqui dentro, involuntariamente, sempre me avisou o momento exato de fechar a conta, passar a régua e dizer adeus.

Todas as vezes em que permaneci, foi pela nítida sensação de que ainda seria bom. E, pelo menos nisso, nunca falhei! Não passei da hora, mas também não abortei. Só continuei até onde soube ser suficiente e parei antes do sorriso se fechar, o coração se ferir, a amizade acabar. De forma assim delicada, foram sempre as ocasiões que me chamaram de cantinho pra me dizer quando partir.

E embora o outro quisesse, não ocupei mais dias seus do que deveria, como quem fica mais um bocadinho só à espera do tempo fechar e a casa cair. E eu que sempre condenei o autoelogio, achei importante te dizer tudo isso, pra que tu entendesses, de uma vez por todas, de onde vem toda essa minha certeza de não mais seguir.

É que eu sempre cuidei para não me demorar onde não preencho mais, por acreditar que é possível, sim, passar pelo outro sem fazer doer e, pelo menor tempo que seja, atravessar a vida alheia com um só intuito: ser e fazer feliz.