Chegou!

Chegou!
Foto: Renan Viana @encolhiaspessoas

Foi por uma brecha de segredos que nosso amor vazou. E eu não tinha o que fazer, nunca foi a minha intenção, mas foi assim que o amor entrou. Não vou negar que, mesmo sem te conhecer, já roubava teus sorrisos com o canto dos olhos e desejos do meu peito. Há tempos, é claro, eu já te via ali pelas esquinas de outros braços. E enquanto os meus permaneciam vazios, contigo eles sonhavam.

Lembro, como se não me restasse saída, do dia em que tu te aproximaste. Olhares tímidos, charme entre cabelos e receios – na medida! – e a voz mansa ensaiada por todas aquelas tuas manhas feitas para confundir até os mais espertos. Chegou pertinho, com aquele jeito de quem nunca quis nada e ocupou o imenso lugar vazio que começava na cadeira ao lado e terminava aqui dentro, no meu coração.

Já na primeira resposta, tu deixaste à mostra o que quase ninguém sabia. Uma a uma, disse todas as palavras que eu esperava ouvir, espaçadas só pelo ritmo das minhas vontades e dos teus desejos agarrados. E eu, de cara, reconheci em ti os traços que eu ainda usaria para desenhar os dias que chegavam a partir dali. Estávamos condenados a sermos cúmplices da mesma história. Enredo feliz, enfim.

Àquela altura, eu te dei companhia e te emprestei algumas das minhas frases, que ficavam muito mais bonitas quando pontuadas pelas tuas risadas, sabendo que me devolverias a gentileza em forma de cartas espalhadas nos próximos meses e declarações de confiança que durariam até aqui. Nunca te disse, mas, naquele dia, ficou gravado em mim teu gesto afetuoso escondido no nosso primeiro abraço. Foi como receber tuas melhores juras sem escutar uma palavra sequer.

Também ficaram manchadas no meu corpo as digitais do teu fogo e o apego dos teus beijos. E desde aquelas tardes que sobraram lá atrás, eu já não sou o mesmo. Não dou mais satisfação às minhas vertigens sentimentais. Nem empilho expectativas por intensidade, tamanho e prazo de validade. A tua presença ocupou os ponteiros do meu relógio e, por tua causa, todas as certezas que se atrasaram no caminho não desistiram de chegar. Mas outra vez me pego sem ter o que fazer e a culpa nem me assombra. Agora eu só tampo a brecha, guardo o segredo e te pego pelos braços. O amor entrou.

 

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