Tchau

 

vá

 

A gente nem pede, mas, ainda assim, a vida ensina que fazer parte da história de alguém é ato voluntário, reação de quem te quer bem, coisa que não se pede muito menos se implora.

Ela nos força, entre um caso interrompido e outro, a aprender que relações vivem desse chegar e partir, entrar e sair, vai e vem sem fim. Isso de ficar somente quem quer, não se engane, será sempre assim.

Quem quer ir, vai se soltar, pra ti nunca mais vai voltar e nada vais poder fazer. E no final de tudo, tu vais, enfim, reparar que só ficarão mesmo aqueles que vivem de fazer do amor, sentimento duradouro, razão pra vida inteira.

Pois que sobre aqui só quem quiser toda essa paixão que eu tenho pra dar. Quanto ao resto? Que escape pelos ralos e se vá. E que não demore a limpar os rastros, esconder os vestígios e deixar em paz a minha alma que foi feita para se entregar, projetada para se sentir inteira só mesmo quando no outro se encostar. Eu já não me importo mais!

 

(Esse texto nasceu da cabecinha do Matheus Caravina e eu só tive o prazer de concluí-lo. O post original é esse aqui)

 

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Chegou!

Chegou!
Foto: Renan Viana @encolhiaspessoas

Foi por uma brecha de segredos que nosso amor vazou. E eu não tinha o que fazer, nunca foi a minha intenção, mas foi assim que o amor entrou. Não vou negar que, mesmo sem te conhecer, já roubava teus sorrisos com o canto dos olhos e desejos do meu peito. Há tempos, é claro, eu já te via ali pelas esquinas de outros braços. E enquanto os meus permaneciam vazios, contigo eles sonhavam.

Lembro, como se não me restasse saída, do dia em que tu te aproximaste. Olhares tímidos, charme entre cabelos e receios – na medida! – e a voz mansa ensaiada por todas aquelas tuas manhas feitas para confundir até os mais espertos. Chegou pertinho, com aquele jeito de quem nunca quis nada e ocupou o imenso lugar vazio que começava na cadeira ao lado e terminava aqui dentro, no meu coração.

Já na primeira resposta, tu deixaste à mostra o que quase ninguém sabia. Uma a uma, disse todas as palavras que eu esperava ouvir, espaçadas só pelo ritmo das minhas vontades e dos teus desejos agarrados. E eu, de cara, reconheci em ti os traços que eu ainda usaria para desenhar os dias que chegavam a partir dali. Estávamos condenados a sermos cúmplices da mesma história. Enredo feliz, enfim.

Àquela altura, eu te dei companhia e te emprestei algumas das minhas frases, que ficavam muito mais bonitas quando pontuadas pelas tuas risadas, sabendo que me devolverias a gentileza em forma de cartas espalhadas nos próximos meses e declarações de confiança que durariam até aqui. Nunca te disse, mas, naquele dia, ficou gravado em mim teu gesto afetuoso escondido no nosso primeiro abraço. Foi como receber tuas melhores juras sem escutar uma palavra sequer.

Também ficaram manchadas no meu corpo as digitais do teu fogo e o apego dos teus beijos. E desde aquelas tardes que sobraram lá atrás, eu já não sou o mesmo. Não dou mais satisfação às minhas vertigens sentimentais. Nem empilho expectativas por intensidade, tamanho e prazo de validade. A tua presença ocupou os ponteiros do meu relógio e, por tua causa, todas as certezas que se atrasaram no caminho não desistiram de chegar. Mas outra vez me pego sem ter o que fazer e a culpa nem me assombra. Agora eu só tampo a brecha, guardo o segredo e te pego pelos braços. O amor entrou.

 

A Bordo

 
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Mas apesar de você, ainda há quem prefira o submerso,
a alma molhada, o coração inundado e toda aquela
inquietação que sugere soltar o corpo,
perdendo de vista as margens só para chegar mais fundo.

Apesar dos teus medos, há quem traga o amor nas mãos,
a vida desancorada e os pés sem chão,
convencido de que estar com alguém
ainda é a melhor maneira de remar nessa maré,
sincronizando o balanço e apostando
na imensidão que é ser mais que um.

 

(A Amanda Pinho pediu e esse texto é a resposta para Vazante) =D

 

Terceira Lei

 

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‘and I know that it’s complicated
but I’m a loser in love
so baby raise a glass to mend
all the broken hearts
of all my wrecked up friends’

Speechless

 

vai lá querer ser reação
e esperar a vida inteira
pela ação que nunca vem

finge que nunca chorou
escondido, preso à esperança
de um dia vê-la chegar

vai lá cruzar teus braços
e sem fazer nada
ver o amor se distanciar

cruza as pernas acomodadas
porque no final das contas
é melhor assim, vai saber

vai lá se conformar
com a morte de mais
uma das tuas histórias

e não esquece de pôr a culpa
na inercia do outro antes
desse teu ponto final.

 

Vazante

 

foto

 

‘Eu bebi saudade a semana inteira
pra domingo você me dizer
que não sabe o que quer
e não quer mais saber’

Esteban Tavares

Há quem prefira a superfície.
A vidinha seca, o coração no raso, os pés no chão
e toda aquela segurança que denota ficar preso à margem,
sem soltar o corpo para chegar mais fundo.

Há quem se mantenha em terra firme.
Barco ancorado, alma em solo, vestes enxutas
e toda aquele conforto que sugere permanecer na areia,
sem mergulhar a vida para se reconhecer no submerso.

Há quem deixe o amor em casa,
por receio de vê-lo se molhar.
E mesmo não pertencendo a ninguém,
ainda tente se convencer de que é melhor
caminhar sozinho, imune ao balanço e
alheio à imensidão que é ser dois.

 

(Esse texto tem resposta, leia aqui)