Minha reza

minha-reza
Foto: Petterson Farias

Livrai-me dessa gente alheia, assim muito autossuficiente, bem como dos indiferentes, esses que quase sempre têm preguiça de sentir; dos que por si só não se movimentam; daqueles que me partem ao meio, mas em troca não me oferecem nada.

Livrai-me dessa gente que sai de casa sem seus “bom dia”, vírgulas, vocativos e plurais; dos lentos em caixas eletrônicos; daqueles críticos ao extremo; dos mal educados no trânsito; dos que me pedem emprestado o que nunca vão devolver; sobretudo, dos relacionamentos e sujeitos rasos, que fazem questão de me puxar pra superfície, mesmo quando todas as possibilidades e vontades me querem mergulhar.

Sim, dos amores pela metade também; das religiões intolerantes, pelo amor de Deus; das poltronas apertadas de avião; das comidas sem sal; da insônia constante; das conversas longas pelo celular; do receio de ouvir minha própria voz; das canções que me desnudam (mentira, dessas não); dos trabalhos que só rendem dinheiro e pouco prazer; de ter que dar satisfação ou a mesma resposta mais de uma vez, por favor!

Livrai-me das roupas e sentimentos que não me cabem mais; dessas relações que me roubam o silêncio; desse amontoado de ideias inertes que nunca ganham vida; assim como de todas as minhas abstinências que fazem tudo isso ser maior do que de fato é, amém!

 

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