esse papo de amizade

 

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‘Há os que amaram uma vez em silêncio,
sem se declarar, e trazem dentro do peito
essa granada que não foi detonada.
Há os que se declararam e foram rejeitados,
e a granada estraçalhou tudo por dentro,
mesmo que ninguém tenha notado’.

Martha Medeiros

 

um ítalo pro riso ser bem maior
e uma suzi pra eu ser total admiração

uma hérica pra entender tudo que sinto
e uma marina porque a inocência nunca foi meu forte

uma géssyca pra eu ignorar as distâncias
e uma gabriela pra provar que elas nunca existiram

uma carol pro abraço mais encaixado
um vinny porque bom humor é fundamental
e uma luiza pra gente se gostar em silêncio

uma fabíola pra falar de amor
uma anna karla pra entender o amor
uma bruna pra praguejar comigo esse mesmo amor
e uma vida inteira pra bendizer essas histórias que a gente
vai, assim, meio sem querer, escrevendo no deslizar dos dias

esses sujeitos que vamos encontrando pelo caminho
e os enxergamos diferentes, chamando-os de amigos
tudo seria tão mais chato sem eles
absurdamente monótono e repetitivo

nada seria tão bom quanto esses dias
em que optamos por não estar só
e sentimos um orgulho danado de quem
caminha ao nosso lado

 

~pelo dia do amigo e por todos os outros~

 

Juro

 

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Um dia ainda publico um livro
capa bem bonita
metáforas coloridinhas
e faço essa gente me ler
que é pra eu poder dizer
que escrevi toda vida
por amor à literatura
e devoção às letras,
não por apego a ti.

 

Todo mundo é muita gente!

 

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‘Nada a fazer senão esquecer o medo
abrir o peito à força, numa procura
fugir às armadilhas da mata escura’.

Milton Nascimento

 

Que horrível essa sensação de sempre alguém por perto, de estar acompanhado noite e dia, todas as horas, toda vida, o mês inteiro. Acho um erro isso de ser rodeado o tempo todo. Sem silêncio, sem espaço, calmaria e paz.

É como se te negassem as brechas, válvulas de escape, e nunca te sobrasse tempo para as solidões e para o próprio umbigo. Muitas vozes, infinitos seres, mil interesses. Impulsos e estímulos até demais. Nunca só, consigo mesmo. Nunca completamente, nunca na medida!

Terrível não ser inóspito, desabitado do mundo, desajustado com a vida, em sintonia só com o que me diz respeito.

 

Tem que rimar comigo!

 

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‘- Você aconselharia alguém a ser escritor?
– me perguntou um estudante.

– Tá querendo me gozar? – retruquei.
– Não, não, falo sério.
Aconselharia, como carreira?

– Escritor já nasce feito,
não é conselho que vai resolver’.

Charles Bukowski

 

Detesto escrita fácil, essas letras autônomas
e essas frases que já nascem caminhando sozinhas,
donas de si e tudo mais.
Não gosto mesmo! Texto tem que doer.
Tem que passar por mim deixando rastros,
lascos e outros pedaços.
Tentar ser, antes de qualquer coisa,
coerente com as minhas faltas
e só depois articular qualquer coesão
com as exigências lá fora.

Coisa triste esses poemas e contos que nascem em silêncio,
sem o menor escândalo e esperneios.
Melhor seria se tivessem batido em outras portas
e brotado em outras digitais, não aqui.
Escrever sentindo ameniza meu todo incompleto.
É como se as palavras me convidassem pra entrar,
pra fazer parte, e eu já nem me sinto só.

Texto pronto é abusivo,
tão maldito quanto o amor que
causam em ti sem que tu consigas
causar em troca. Porque são deles
a péssima mania de nos negar a experiência,
o rito, as cores, as dores e a própria existência.

 

Causa e Efeito

 

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‘Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima’.

Paulo Leminski

 

É por ter memória curta que eu escrevo.
Por causa dessa dificuldade para lembrar
dos versos alheios é que invento os meus.

É por ter memória longa que eu escrevo.
Por causa dessa dificuldade para esquecer
amores é que eu me faço texto.

É pela
lembrança
que se
confunde
com a ideia
e por essa
amnésia
que me sufoca
o apego.

 

Insira um ‘eu te amo’ aqui

Insira um eu te amo
Foto: Fabíola Lourenço

Os românticos assumidos que me perdoem,
mas os introspectivos me comovem mais.
Não que as declarações fáceis desapontem,
mas é que o desabafo inesperado me agrada mais.

Aquele sentimento calado, reverberado no silêncio,
que quando vem à tona, explode meio sem modos,
atropelado e desajeitado, exalando embaraço e timidez.

Nada contra os adeptos da franqueza,
das confissões provocadas sem o menor esforço,
mas que delícia arrancar as relutantes palavras,
que num instante te dizem tanto daquele amor
que você sempre soube ser tão grande.