Palpite

 

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Mantenha a distância, meu amigo! Quanto mais perto, menores as chances. Quanto mais dentro, mais escassas as saídas. Portanto, corra! E não olhe pra trás. Não olhe pra si. Os espelhos se pudessem, te diriam do horror que somos quando fugimos de nós mesmos. É que, ao contrário deles, nunca refletimos.

Mas fuja! Liberte-se do que você idealiza. Atravesse a rua, desvie o olhar, finja que não conhece. Vai por mim! Faça-se o favor de ser completo desprezo. Escape pelas janelas, pelas esquinas e sobreviva!

Se quer saber, eu te digo, os ideais machucam até não mais quererem. Pintam bocas, corpos e corações à luz do inverossímil, abusam da nossa boa vontade e se alimentam desse intuito! Vivem de esconder defeitos. De cantar a melodia do outro nas notas que a gente nunca alcança.

São poços de excessos. Gargantas onde se afogam as soberbas. Ideias sem o menor cabimento. Enquanto nós não passamos de coisas mínimas, feitos quase que inteiramente de inseguranças bestas e carências egoístas. Vítimas dos passados inconclusos e dos futuros que nunca chegarão.

 

(Mais um texto feito em parceria com o menino Lucas Schwantes. =D)

 

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Rapidinha

 

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Deixa eu te folhear?
Assim bem lentinho,
página por página,
te despir do início ao fim.

E com as minhas mãos,
se não te importas,
te partir ao meio,
manusear tuas entranhas
e sentir teu cheiro.
Calma, calma! Não vai doer.

Nunca fui bom com as preeliminares,
se me permites, então, deixa eu pular teu título,
tuas dedicatórias e introdução.
É que todo o resto me dá mais tesão!

Tuas histórias e teus apelos.
Enredo por enredo.
Fácil manuseio.
Língua entre os dedos.
Engulo tuas letras.
Te como por inteiro.
Tua poesia me pegou de jeito!