Sete e pouco

 


 

‘Nós dois que sequer nos parecemos
e não cabemos num mesmo espelho,
mas 
nos olhamos toda manhã’.
Ana Carolina

 

Hoje ela acordou disposta a odiar o mundo. Reclamou do despertador com a pilha fraca e, amaldiçoando o calor da noite, quis ofuscar meu ‘bom dia’. No quesito cara amarrada, não fez feio. Tirou de letra! Falou do cabelo crespo, do café sem açúcar e do medo de engordar. Pff! Andou pela cozinha impaciente, desviando meu sorriso e os gatos que tentavam lhe alcançar. Ignorou a ligação urgente, o meu rosto amassado e as músicas do rei Roberto. Se ela queria dizer que não era um bom dia, sim, eu já tinha entendido.

 

Desfiz a mesa, meu bom humor matinal e fui pro trabalho. Ficou ela lá falando sozinha. Ela e o rádio, aliás. Do carnaval que já tava em cima, dos parentes que iam chegar, da obra na casa do vizinho e do salário cada vez menor. Eu, hein?! Tinha despertado decidida a descontar todas suas faltas na relação e nos reajustes, que como ela estavam pela hora da morte!

 

(a imagem é daqui)

 

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