Manual de Instruções

 

tumblr_mhypq0T40Q1qerq5po1_500

 

Sufoca
até nada mais restar
todo poro que por ele respira
aborta
até não mais sentir
não mais insistir
mata
lentamente
que não demora sarar
liberta
o outro de ti
e não hesita em outra vez preencher
o vazio que ficar
então
vive
Que a vida não é só
amar.

 

Anúncios

O amor é um ciclo

O Amor é Um Ciclo
Foto: Fabíola Lourenço

Troquei as toalhas, os lençóis manchados, até roupa nova, veja bem, eu botei. Os velhos móveis de outros impregnados, absolutamente, todos espanei. Nas cortinas, novos ventos batem. E nas paredes, envelhecidos segredos dormem.

Alma despreocupada. Janelas arejadas. Portas escancaradas. Algumas cicatrizes reboquei, outras, pintei. E aquelas que em mim os amores carentes causaram, ai, já nem sei… vai que elas ainda estejam por aí, vagando pelos cantos da casa e só a mobília escondeu. Mas isso não te cabe! Aliás, nem a mim nem a ti. Dizem que aos dias, que aos anos, que ao tempo. Sendo assim, esperarei!

Tu, por enquanto, deves te importar só com o que visível eu deixo. Que notes minha sede, acaricies meus sorrisos, que cantes comigo novos versos e abraces meus desejos. Porque meu coração levemente já respira, acredite, à espera de tuas notícias que em breve chegarão, eu sei.

Quimera

 

tumblr_mab7ndBfiy1r6w5sxo1_500

 

A gente idealiza tanto que chega a ter pra cada situação uma reação. Dos passos às palavras, exatamente tudo. A entonação dos risos. O encaixe dos abraços. A intensidade dos amassos. O coração mal sente e a cabeça já propõe. Pressa idiota! Agonia desesperadora! Burrice involuntária!

Recorta os melhores textos. Separa sentimentos em pedaços, em retalhos, em parágrafos. Com as melhores cores enfeita as palavras, seus sinônimos, adjetivos. Cuidadosamente, pinta, colore, formata. E ensaia ao outro entregar.

Tateia o futuro e o sente tão real. Projeta expectativas e injeta nelas tanta verdade, tanto desejo, tanto amor. Mas o faz calado. Na melhor das intenções, claro. Mas em silêncio. E conjuga a dois uma esperança egoísta, extremamente só. E por ambos sente sozinho. Peca por fazer do outro agente passivo de tudo aquilo que solitariamente planeja.

E pensa que vai viver conforme escreveu. Chega a supor que vai ser feliz da maneira que sonhou. Mas não. Lógico que não. Feito papel, vem o vento, vem o tempo, sopra a vida e leva tudo.

Tão estranho, impessoal. E só no fim a gente se dá conta que de metáfora nunca passou. Teu mundinho não é meu, meu futuro nunca foi teu. Nem desejo nem amor. O outro nunca existiu.