Espelho

Espelho
Foto: Petterson Farias

As razões e emoções pelas quais pulsa o teu peito, até do avesso eu conheço. Por onde vão e se estendem teus piores e melhores pensamentos, até isso eu sei. A rapidez com que teu coração escolhe alguém e por esse alguém começa a suspirar; a hesitação disfarçada por entre risos e o medo que te faz frágil, inseguro das tuas próprias concepções, aspirações, divagações. Tuas janelas que dão para as minhas paisagens e as minhas portas que dão para as tuas ruas: os fios que nos ligam.

Sei de ti e isso não é de hoje. Aliás, reconheço-te. Porque te enxergo de longe, te observo de perto e quando não satisfeito, chego a te comer por dentro. Não vês vestígios porque não os deixo, mas estou aí. Imerso em ti. Estendido e tatuado, correndo solto nos teus insultos, nos teus abusos, nas tuas gradações de sentimentos decadentes. E nas rimas sem som que teus batimentos criam, sou o elemento que falta, a vogal consonante, o gerúndio do verbo existir.

Sou-te. Te sou, só que ao contrário. E que se danem as próclises mal colocadas. Sou e isso me basta. Tuas doses exageradas. Amores descontrolados. Frases exclamadas. Tudo! Conheço-te porque aí há mais de mim do que de ti. Tu não passas de reverberação, eco, reflexo. Quem existe sou eu e ponto.

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