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Talvez demore pra uns e pra outros demore bem mais, uma vida quem sabe. Mas que o sujeito não morre ignorante, não morre alheio, isso é fato. Porque se a vida perde tempo demais com aqueles que relutam e simulam cegueira ao óbvio, ela encarrega o tempo, o outro, o próximo, o nem tão próximo assim.

A vida dá um jeito, meu amigo, mas ela não nega a nenhum de nós a informação, a consciência. E escreve em letras garrafais pra que qualquer um perceba, veja, processe, absorva. Pra que ninguém com excessiva esperteza lhe acuse de irresponsável ilegibilidade.

Agora, se você espera dela critérios, dedos sensíveis e eufemismos, devo dizer, o teu fim é um só: Desgosto. Sim, porque se de firulas e cerimônias todas as tuas relações estão cheias, ouso dizer, até acostumadas, nisto ela faz questão de ser a tua mais completa antítese.

Vai dizer que nunca percebeu o quão tapa na cara a vida é? Um poço de franquezas, de verdades que te cortam, novidades que te atravessam. Bossa Nova só por fora e olhe lá. Por dentro, ela te embala mesmo é por entre acordes de canções de protesto. Vida nua. Invasiva, chata, arrogante. Crua.

Estratégica, ardilosa e sorrateira, ela te pega de jeito no grau mais elevado das tuas autossuficiências e sem medo algum de atirar ao chão a tua tão vulnerável autoestima, ela grita: Quantas vezes tu tentares transformar cada solidão em fortaleza, reduzirei a pó todas as tuas tentativas. Quantas vezes te achares completo, não terei piedade em te lembrar que não passas de metade.

 

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